Esse post é das meninas também serve para os meninos que vivem reclamando da falta de possíveis companheiros no “mercado”. Confesso que sempre fui namoradeira, nunca fiquei muito tempo sozinha, mas conheço inúmeras pessoas que estão sem ninguém há anos ou vivem se metendo em relacionamentos problemáticos, que duram tanto quanto uma escova progressiva após alguns dias na praia. Enfim, descobri uma revista digital muito legal chamada “Jezebel”, focada no público feminino, e que dá algumas dicas sem ser tão óbvia, careta ou sexista como a maioria das revistas de mulheres que vemos por aí. Então lá vai a matéria que achei para as solteiras (os) lamuriosas (sos):
Pelo amor de Deus, não tem nada errado com você: um manifesto do namoro
29 abr, 2012 – 08:30 – por: Lindy West (revista Jezebel)
Como mulheres modernas e casadoiras que somos, nosso infalível paradigma de inadequação dita uma ladainha mais ou menos assim: “eu sou gorda demais para atrair o meu tipo de homem”, “eu sou feia demais para conseguir casar”, “eu já estou velha demais para encontrar alguém”. Isso é repetido até a morte – literalmente –, e esse é o ciclo de vida da mulher. Hoje em dia, está na moda se comiserar pelas razões opostas às anteriores: “eu sou inteligente/bonita/bem-sucedida/interessante/divertida/honesta demais para conseguir fisgar um homem!”
Não importa o que ou quem nós, mulheres heterossexuais, sejamos, nós sempre somos alguma coisa demais para os homens. Não é uma merda isso? Porque ser “demais” de alguma coisa implica que você pode mudar, e ser de outro jeito. Mas isso não é verdade – É UMA ARMADILHA.
Nós estamos constantemente nos considerando demais ou de menos sob todos os ângulos possíveis. Além disso, ou usamos essa inadequação para nos punir (Você está gorda demais! Não vai comer biscoito!) ou nos agarramos a ela para encontrar consolo, como se o próprio senso de inadequação fosse nosso “namorado”. Mas será que não dá pra deixar essa coisa toda pra lá – encarando-a como a bobagem que ela de fato é – e virar, sei lá, gente? Uma pessoa que não existe em função dos homens? Cuja vida não é destruída sempre que se descobre (ao ler a revista Nova de cada mês) que se é alguma coisa demais?
Temos de parar de nos definir unicamente em relação aos homens, e parar de pensar coisas do tipo “eu não sou eu, eu sou a mulher dos sonhos do meu namorado imaginário, com alguns poréns: sou 20 quilos mais gorda, tenho uma cintura 10 cm maior, sou feminista (que ameaça!) e não estou a fim de fingir que me interesso por esportes radicais obscuros! Essa sou eu!”
Não, essa não é você. Essa é uma monstruosidade bizarra que você inventou para se torturar. Eu tento me lembrar (e às vezes é difícil) de que sou um ser humano, e não uma equação que pode ser resolvida baseada na atração que os homens que me conhecem sentem por mim. Porque a real, gente, é que tudo isso é uma farsa, talvez a mais duradoura de todos os tempos.
Pare de tentar ser o que os homens querem que você seja, porque eles estão mentindo para você. Qualquer homem de carne e osso quer estar com uma mulher que seja de carne e osso também. A atração não é algo mental, é involuntária – se os homens realmente só quisessem pegar top models mudas, as pessoas comuns já teriam entrado em extinção. Mas olhe em volta: tem gente comum para todo lado!
No fundo, os homens sentem atração pelo mesmo tipo de pessoa que as mulheres: alguém autoconfiante, seguro(a), ativo(a), com senso de identidade. Mas é complicado, porque autoconfiança é também o oposto de desamparo, e muitos caras (os inseguros) precisam que as mulheres sejam ou pareçam desamparadas, porque elas não estarão no controle. Alguém que está no controle quer continuar nessa posição – e, em geral, essa pessoa é um homem (só para esclarecer: estou falando em termos gerais, não estou dizendo que seu pai está fazendo tráfico de escravas do leste europeu ou algo assim. Você me entendeu).
Além de tudo isso, e também pelo fato de a atração ser algo involuntário, o ato de admitir que estamos genuinamente atraídos por alguém implica abrir mão do poder que temos sobre a situação. É algo que dá medo. E quando a pessoa por quem você está tão atraído que dá medo nem se liga na sua existência, o que você faz? INVENTA QUE A BATATA DA PERNA DELA É GORDA.
É um mito da beleza dos mais rasteiros. Todas as pseudodesculpas evolutivas que as pessoas dão para os ideais de beleza modernos (peitos gigantes sinalizam mais leite para os bebês das cavernas! Cintura fina, útero grande! E por aí vai) são bobagens. Você já prestou atenção no que significa ser “atraente de forma convencional” hoje em dia? O negócio está fora de controle! Em termos de padrão de beleza, eis aqui o que eu acredito que a mulher deveria ter para o homem das cavernas:
1. Quase todos os braços e pernas.
2. O menor número possível de feridas abertas.
3. Ser minimamente saudável e robusta, para poder cuidar de crianças e defendê-las de
leões.
Apliques de cabelo em degradê? Duvido. Ser “interessante demais”? Certeza que não.
Nós, enquanto mulheres, passamos a vida acreditando nessa mentira – a de que tudo o que temos de fazer é deixar de sermos gordas demais, ou reclamonas demais, ou tensas demais, ou ainda peitudas de menos, e aí o homem perfeito vai finalmente nos amar para sempre.
Mas ir atrás desses fantasmas não nos torna necessárias – nos torna descartáveis. E nos tira qualquer poder, porque é como se não fôssemos mais pessoas, e sim carcaças. Carcaças que se sentem um lixo e que não têm pudor de trair a confiança de outras carcaças. Existe o estereótipo idiota (e imortal) de que as mulheres só se interessam pelos homens que não precisam delas – mas isso é porque todo mundo quer alguém que não precise se apoiar no outro. Todo mundo quer alguém que não preciiiiiiise de outra pessoa! As únicas pessoas que deveriam ter permissão para serem desamparadas são os bebês, e quem quer dar para um bebê? Eu não! (dica: se você gritou “eeeeu!” e acha que tudo bem, chame a polícia).
Dependência não dá tesão. Mas o que parece mais dependente e carente do que fazer da sua vida um eterno episódio daqueles programas que dão uma repaginada em alguém considerado fora dos padrões? O que é mais desesperado do que se construir a partir da costela (de qualidade duvidosa) de um Adão qualquer? Isso é o contrário de encontrar alguém que possa realmente gostar de você.
Então, pare. Faça o que quiser e você vai conseguir o que quiser. Desistir de corresponder às expectativas alheias não é se acomodar – é exigir o que você merece.












