13 de fevereiro de 2012: 90 anos da Semana de Arte Moderna

Iconoclastas, os artistas brasileiros buscavam um relato propriamente brasileiro e da construção de identidade.

Era 13 de fevereiro de 1922, uma segunda-feira, um grupo de artista se reuniu buscando aplausos e assomando vaias.  A Semana de Arte Moderna – ou Semana de 22 –, se mantém presente na rotina e nos pensares de artistas nacionais mesmo que todos os escritores, músicos e pintores.

Realizadas nas noites dos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, transformado no palco de conferências, recitais de música e poemas, na qual participou um grupo de artistas que se rebelavam contra a forma fixa e os cânones estéticos do século XIX, imperantes na arte do Brasil.

A revolução iniciada com o evento mudou para sempre o panorama cultural brasileiro. Ao completar noventa anos, seu legado será lembrado numa série de atividades. Muitas das marcas dos principais participantes do movimento ainda são nítidas até hoje nas mais diferentes artes brasileiras.

A Semana é considerada como a semente da qual brotou o Modernismo brasileiro, embora seus principais expoentes, Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Tarsila do Amaral, Emiliano Di Cavalcantti e Manuel Bandeira, já tinham escrito vários capítulos de ruptura na década anterior, que serviriam para narrar a novela da mudança cultural.

Inspirados em um espírito iconoclasta, os modernistas brasileiros bebem das vanguardas europeias como o Dadaísmo, o Futurismo e o Cubismo, mas com uma releitura tropical, em busca de um relato propriamente brasileiro e da construção de identidade.

Modernismo na literatura

"Macunaíma", de Mário de Andrade, é uma obra emblemática do modernismo brasileiro.

A Semana de Arte Moderna acabou deflagrando um movimento que seria conhecido por Modernismo na Literatura Brasileira. Com o objetivo de  romper com o tradicionalismo (parnasianismo, simbolismo e a arte acadêmica), a libertação estética, a experimentação constante e, principalmente, a independência cultural do país. Apesar da força do movimento literário modernista  a base deste movimento se encontra nas artes plásticas, com destaque para a pintura.

Os nomes mais marcantes deste movimento, que possui três fases, são : Euclides da Cunha, Monteiro Lobato, Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Alcântara Machado, Manuel Bandeira, dentre outros.

Programação especial

O Teatro Municipal de São Paulo apresentará, entre os dias 15 e 26 de fevereiro, uma programação especial para comemorar a Semana de Arte Moderna. As atividades contarão com duas óperas – uma delas, Magdalena, de Villa-Lobos, nunca montada em São Paulo -, um espetáculo de dança inédito e dois concertos. Compositores e autores dessas obras participaram da Semana de Arte Moderna de 1922 (Villa-Lobos e Mario de Andrade) ou foram influenciados por ela (Camargo Guarnieri, Radamés Gnatalli, Lorenzo Fernandez).

Já em agosto de 2010, foi apresentada em forma de concerto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Além disso, foi realizada em 2010 pelo Theatre du Chatelet, de Paris. A partitura foi encomendada a Heitor Villa-Lobos pelos letristas norte-americanos Robert Wright e George Forrest – dupla posteriormente responsável pela bem-sucedida montagem de ‘Kismet’, musical adaptado sobre a obra de Borodin – que queriam um espetáculo que tivesse como cenário a América do Sul.

Misto de musical e opereta cômica, a peça estreou em 1948 e passou, ao longo de três meses, por Los Angeles, São Francisco e Nova York. Com toques tragicômicos, o musical fala de conflitos religiosos, da luta dos povos ameríndios contra a opressão, da exuberância dos trópicos e suas riquezas naturais.

 

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Um Comentário

  1. Publicado 5 de julho de 2012 em 14:16 | Permalink

    Gostei,Mas eu queria saber quais foram os artistas que participaram

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